terça-feira, 14 de agosto de 2012

Para refletir em família

A vossa vocação não é fácil de viver, especialmente hoje, mas a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o mundo... estes são os caminhos para crescer no amor: manter um relacionamento perseverante com Deus e participar na vida eclesial, cultivar o diálogo, respeitar o ponto de vista do outro, estar disponíveis para servir, ser paciente com os defeitos alheios, saber perdoar e pedir perdão, superar com inteligência e humildade os possíveis conflitos, concordar as diretrizes educacionais, estar abertos às outras famílias, atentos aos pobres, ser responsáveis na sociedade civil. 
Papa Bento XVI


Homilia de Bento XVI no Encontro Mundial das Famílias


Homilia
Missa na Parque Bresso
Encontro Mundial das Famílias 2012
3 de junho de 2012


Venerados Irmãos,
Distintas Autoridades,
Amados irmãos e irmãs!

Grande momento de alegria e de comunhão é este que vivemos ao celebrar o Sacrifício Eucarístico, nesta manhã. Está reunida com o Sucessor de Pedro uma grande assembleia, composta por fiéis vindos de muitas nações. Nela temos uma expressiva imagem da Igreja, una e universal, fundada por Cristo e fruto da missão que Jesus, como ouvimos no Evangelho, confiou aos seus Apóstolos: «Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações, batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 18-19).
Saúdo com afeto e gratidão o Cardeal Angelo Scola, Arcebispo de Milão, e o Cardeal Ennio Antonelli, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, principais artífices deste VII Encontro Mundial das Famílias, bem como os seus colaboradores, os Bispos Auxiliares de Milão e os outros Prelados. Com prazer, saúdo todas as Autoridades presentes. E, hoje, o meu caloroso abraço vai sobretudo para vós, queridas famílias! Obrigado pela vossa participação!

Na segunda Leitura, o apóstolo Paulo recordou-nos que recebemos no Batismo o Espírito Santo, que de tal modo nos une a Cristo como irmãos e liga ao Pai como filhos, que podemos gritar: «Abba! Pai!» (cf. Rm 8, 15.17). Entãofoi-nos dado um gérmen de vida nova, divina, que se há-de fazer crescer até à realização definitiva na glória celeste; tornamo-nos membros da Igreja, a família de Deus, «sacrarium Trinitatis» – na expressão de Santo Ambrósio –, «um povo – como ensina o Concílio Vaticano II – unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Const. Lumen gentium, 4).

A solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, que hoje celebramos, convida-nos a contemplar este mistério, masimpele-nos também ao compromisso de viver a comunhão com Deus e entre nós segundo o modelo da comunhão trinitária. Somos chamados a acolher e a transmitir, concordes, as verdades da fé; a viver o amor recíproco e para com todos, compartilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e a dar o perdão, valorizando os diversos carismas sob a guia dos Pastores.

Numa palavra, está-nos confiada a tarefa de construir comunidades eclesiais que sejam cada vez mais família, capazes de refletir a beleza da Trindade e evangelizar não só com a palavra, mas – diria eu – por «irradiação», com a força do amor vivido.

Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família fundada no matrimônio entre o homem e a mulher. No princípio, de fato, «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus: Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: "Crescei e multiplicai-vos"» (Gn 1, 27-28).

Deus criou o ser humano, homem e mulher, com igual dignidade, mas também com características próprias e complementares, para que os dois fossem dom um para o outro, se valorizassem reciprocamente e realizassem uma comunidade de amor e de vida. O amor é o que faz da pessoa humana a autêntica imagem de Deus.

Queridos esposos, na vivência do matrimônio, não dais qualquer coisa ou alguma atividade, mas a vida inteira. E o vosso amor é fecundo, antes de mais nada, para vós mesmos, porque desejais e realizais o bem um do outro, experimentando a alegria do receber e do dar.
Depois é fecundo na procriação generosa e responsável dos filhos, na solicitude carinhosa por eles e na educação cuidadosa e sábia. Finalmente é fecundo para a sociedade, porque a vida familiar é a primeira e insubstituível escola das virtudes sociais, tais como o respeito pelas pessoas, a gratuidade, a confiança, a responsabilidade, a solidariedade, a cooperação. Queridos esposos, cuidai dos vossos filhos e, num mundo dominado pela técnica, transmiti-lhes com serenidade e confiança as razões para viver, a força da fé desvendando-lhes metas altas e servindo-lhes de apoio nas fragilidades. Mas também vós, filhos, sabei manter sempre uma relação de profundo afeto e solícito cuidado com os vossos pais, e as relações entre irmãos e irmãs sejam também oportunidade para crescer no amor.
O projeto de Deus para o casal humano alcança a sua plenitude em Jesus Cristo, que elevou o matrimônio a Sacramento. Com um dom especial do Espírito Santo, queridos esposos, Cristo faz-vos participar no seu amor esponsal, tornando-vos sinal do seu amor pela Igreja: um amor fiel e total.
Se souberdes acolher este dom, renovando diariamente o vosso «sim» com fé e com a força que vem da graça do Sacramento, também a vossa família viverá do amor de Deus, tomando por modelo a Sagrada Família de Nazaré. Queridas famílias, pedi muitas vezes, na oração, o auxílio da Virgem Maria e de São José, para que vos ensinem a acolher o amor de Deus como o acolheram eles.
A vossa vocação não é fácil de viver, especialmente hoje, mas a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o mundo. Aos vossos olhos foi oferecido o testemunho de tantas famílias, que indicam os caminhos para crescer no amor: manter um relacionamento perseverante com Deus e participar na vida eclesial, cultivar o diálogo, respeitar o ponto de vista do outro, estar disponíveis para servir, ser paciente com os defeitos alheios, saber perdoar e pedir perdão, superar com inteligência e humildade os possíveis conflitos, concordar as diretrizes educacionais, estar abertos às outras famílias, atentos aos pobres, ser responsáveis na sociedade civil. 

Todos estes são elementos que constroem a família. Vivei-os com coragem, pois na medida em que, com o apoio da graça divina, viverdes o amor mútuo e para com todos, tornar-vos-eis um Evangelho vivo, uma verdadeira Igreja doméstica (cf. Exort. ap. Familiaris consortio, 49).
Quero dedicar uma palavra também aos fiéis que, embora compartilhando os ensinamentos da Igreja sobre a família, estão marcados por experiências dolorosas de falência e separação. Sabei que o Papa e a Igreja vos apoiam na vossa fadiga. Encorajo-vos a permanecer unidos às vossas comunidades, enquanto almejo que as dioceses assumam adequadas iniciativas de acolhimento e proximidade.

No livro de Génesis, Deus confia ao casal humano a sua criação, para que a guarde, cultive e guie de acordo com o seu plano (cf. 1, 27-28; 2, 15). Nesta indicação, podemos ler a missão que tem o homem e a mulher de colaborar com Deus para transformar o mundo, através do trabalho, da ciência e da técnica. O homem e a mulher são também imagem de Deus nesta obra preciosa, que devem realizar com o mesmo amor do Criador.
Vemos que, nas teorias econômicas modernas, prevalece muitas vezes uma concepção utilitarista do trabalho, da produção e do mercado. Mas, o projeto de Deus e a própria experiência mostram que não é a lógica unilateral do que me é útil e do maior lucro que pode concorrer para um desenvolvimento harmonioso, o bem da família e para construir uma sociedade mais justa, porque traz consigo uma competição exasperada, fortes desigualdades, degradação do meio ambiente, corrida ao consumo, mal-estar nas famílias. Antes, a mentalidade utilitarista tende a estender-se também às relações interpessoais e familiares, reduzindo-as a convergências precárias de interesses individuais e minando a solidez do tecido social.

Um último elemento. O homem, enquanto imagem de Deus, é chamado também ao descanso e à festa. A narrativa da criação termina com estas palavras: «Concluída, no sétimo dia, toda a obra que tinha feito, Deus repousou, no sétimo dia, de todo trabalho por Ele realizado. Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o» (Gn 2, 2-3).
Para nós, cristãos, o dia de festa é o Domingo, dia do Senhor, Páscoa da semana. É o dia da Igreja, assembleia convocada pelo Senhor ao redor da mesa da Palavra e do Sacrifício Eucarístico, como estamos a fazer hoje, para nos alimentar d’Ele, entrar no seu amor e viver do seu amor. É o dia do homem e dos seus valores: convivência, amizade, solidariedade, cultura, contacto com a natureza, jogo, desporto. É o dia da família, em que se há-de viver, juntos, o sentido da festa, do encontro, da partilha, também com a participação na Santa Missa.
Queridas famílias, mesmo nos ritmos acelerados do nosso tempo, não percais o sentido do dia do Senhor! É como o oásis onde parar para saborear a alegria do encontro e saciar a nossa sede de Deus.

Família, trabalho, festa: três dons de Deus, três dimensões da nossa vida que se devem encontrar num equilíbrio harmonioso. Harmonizar os horários do trabalho e as exigências da família, a profissão e a maternidade, o trabalho e a festa é importante para construir sociedades com um rosto humano.
Nisto, privilegiai sempre a lógica do ser sobre a do ter: a primeira constrói, a segunda acaba por destruir. É preciso educar-se para crer, em primeiro lugar na família, no amor autêntico: o amor que vem de Deus e nos une a Ele e, por isso mesmo, «nos transforma em um Nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja "tudo em todos" (1 Cor 15, 28)» (Enc. Deus caritas est, 18). Amém.

      

Diálogo do papa bento XVI com as famílias


Diálogo com as Famílias
Festa dos Testemunhos no Parque Bresso de Milão, Itália
Encontro Mundial das Famílias 2012
2 de junho de 2012


1. CAT TIEN (menina do Vietnam):
Oi, Papa. Sou Cat Tien, venho do Vietnam. Tenho sete anos e quero apresentar a minha família: ele é meu pai, Dan, e a minha mãe chama-se Tao, e ele é meu irmãozinho Binh.

Gostaria muito de saber alguma coisa sobre a tua família e sobre quando era pequeno como eu…

SANTO PADRE: Obrigado, querida, e aos pais: obrigado de coração. Agora, você me perguntou como são as recordações da minha família: seriam muitas! Quero dizer somente poucas coisas. O ponto essencial para a família era para nós sempre o domingo, mas o domingo começava já no sábado à tarde. O papai nos dizia as leituras, as leituras do domingo, de um livro muito difundido naquele tempo na Alemanha, onde também eram explicados os textos.
Assim começava o domingo: entravamos já na liturgia, na atmosfera da alegria. No dia seguinte, íamos à Missa. Minha casa era perto de Salisburgo, portanto tínhamos muita música – Mozart, Schubert, Haydn – e quando começava o Kyrie era come se abri-se o céu!

E depois, em casa, era importante, naturalmente, o grande almoço juntos. E depois cantávamos muito: meu irmão é um grande músico, fez composições já quando era garoto para todos nós, assim toda a família cantava. O papai tocava lira e cantava; foram momentos inesquecíveis. 

Depois, naturalmente, fizemos viagens juntos, caminhadas, estávamos próximos a um bosque e assim caminhar nos bosques era uma coisa muito linda: aventuras, brincadeiras, etc.

Em uma palavra, éramos um só coração e uma só alma, com tantas experiências comuns, também em tempos muito difíceis, porque era o tempo da guerra, antes da ditadura, depois da pobreza. Mas com este amor recíproco que existia entre nós e esta alegria, também pelas coisas simples, podíamos superar e suportar aquelas coisas.

Parece-me que isto foi muito importante: que também coisas pequenas deram alegria, porque assim se exprimia o coração do outro. E assim, crescemos na certeza que é bom ser um homem, porque víamos que a bondade de Deus se refletia nos pais e nos irmãos.

E para dizer a verdade, se busco imaginar um pouco como será o Paraíso, parece-me sempre como o tempo da minha juventude, da minha infância. Assim, neste contexto de confiança, alegria e amor, éramos felizes e penso que no Paraíso deveria ser similar a como era na minha juventude. Neste sentido, espero ir “para casa”, andando em direção à “outra parte do mundo”.

2. SERGE RAZAFINBONY E FARA ANDRIANOMBONANA (Casal de noivos de Madagascar):
SERGE: Santidade, somos Fara e Serge, e viemos de Madagascar. Conhecemos-nos em Florença, onde estamos estudando, eu engenharia e ela, economia. Estamos noivos há quatro anos e logo que nos formarmos, sonhamos em voltar ao nosso país para dar uma mão a nossa gente, também através das nossas profissões.

FARA: Os modelos familiares que dominam o Ocidente não nos convencem, mas estamos conscientes que também os moldes tradicionalistas da nossa África estão de qualquer forma superados. Sentimos que somos feitos um para o outro; por isso queremos nos casar e construir um futuro juntos. Queremos também que cada aspecto da nossa vida seja orientado pelos valores do Evangelho. Mas falando de matrimônio, Santidade, existe uma palavra que nos atrai mais que outras e que, ao mesmo tempo, nos assusta: o “para sempre”...

SANTO PADRE: Queridos amigos, obrigada por este testemunho. A minha oração vos acompanha neste caminho de noivado e espero que possam criar, com os valores do Evangelho, uma família “para sempre”. Ele disse que há diversos tipos de matrimônio: conhecemos o «mariage coutumier» da África e o casamento ocidental. Também na Europa, para dizer a verdade, até o ano de 1800, havia outro modelo de matrimônio dominante: normalmente o matrimônio era na realidade um contrato dentro do clã, onde se buscava conservar o clã, abrir ao futuro, defender as propriedades, etc.
Buscava-se um para o outro ali no clã, esperando que fossem adequados um para o outro. Assim era em parte também nos nossos países.

Eu me recordo que num pequeno lugar, onde estudei, era em grande parte ainda assim. Mas depois de 1800, segue a emancipação dos indivíduos, a liberdade da pessoa e o matrimônio não é mais baseado sobre a vontade dos outros, mas sobre a própria escolha; precede o namoro, torna-se depois noivado e, então, matrimônio. 

No meu tempo todos éramos convictos que este era o único modelo correto e que o amor por si garantisse o “sempre”, porque o amor é absoluto, quer tudo e assim também a totalidade do tempo: é “para sempre”.

Infelizmente, a realidade não era assim: via-se que o namoro é lindo, mas talvez não sempre perpétuo, assim como o sentimento: não permanece para sempre. Então, via-se que a passagem do namoro ao noivado e depois ao matrimônio exige diversas decisões, experiências interiores.

Como disse, é lindo este sentimento de amor, mas deve ser purificado, deve andar num caminho de discernimento, isto é, devem entrar também a razão e a vontade; devem unir-se razão, sentimento e vontade. 

No Rito do Matrimônio, a Igreja não diz: “Estão apaixonados?”, mas “quer”, “está decido”. Isto é: a paixão deve se transformar em verdadeiro amor, envolvendo a vontade e a razão num caminho, que é aquele do noivado, de purificação, de maior profundidade, é assim que realmente todo homem, com todas suas capacidades, com o discernimento da razão, a força de vontade, diz: “Sim, esta é a minha vida”. 

Eu penso sempre nas bodas de Cana. O primeiro vinho é muito bom: é o namoro. Mas não dura até o fim, deve vir um segundo vinho, isto é deve fermentar e crescer, amadurecer. 

Um amor definitivo que se torna realmente “segundo vinho” é mais bonito, melhor que o primeiro vinho. E isso devemos buscar. E aqui é importante também que eu não fique isolado, o eu e o tu, mas que seja envolvida também a comunidade da paróquia, a Igreja, os amigos. Isso, toda a personalização correta, a comunhão de vida com outro, com as família que se apóiam mutuamente, é muito importante e só assim, neste envolvimento com a comunidade, os amigos, a Igreja, a fé, Deus mesmo, cresce um vinho que vai para sempre. Muitas felicidades a vocês!

3. FAMÍLIA PALEOLOGOS (Família grega)
NIKOS: Kalispera! Somos a família Paleologos. Viemos de Atenas. Chamo-me Nikos e ela é minha mulher Pania. E eles são nossos dois filhos: Pavlos e Lydia.

Anos atrás com outros dois sócios, investido tudo aquilo que tínhamos, abrimos uma pequena empresa de informática. Ao desenrolar da atual duríssima crise econômica, os clientes estão drasticamente diminuindo e aqueles que permanecem adiam sempre mais os pagamentos. Mal conseguimos pagar os salários dos nossos dois funcionários, e para nós sócios sobra pouquíssimo.  Assim, para manter a nossa família, todos os dias, passa a sobrar sempre menos. Nossa situação é uma entre tantas, entre milhões de outras. Na cidade, as pessoas viram suas cabeças para baixo; ninguém confia mais em ninguém, falta esperança.

PANIA: Também nós, se não continuar a crescer a providência, mal podemos imaginar como será o futuro para os nossos filhos. Existem dias e noites. Santo Padre, vem a nós perguntar como fazer para não perder a esperança. O que a Igreja pode dizer a toda essa gente, a estas pessoas e a estas famílias sem mais perspectiva?

SANTO PADRE: 
Queridos amigos, obrigado por este testemunho que atingiu meu coração e o coração de todos nós. O que podemos responder? As palavras são insuficientes. Devemos fazer alguma coisa de concreto e todos nós sofremos pelo fato de sermos incapazes de fazer algo de concreto. Falamos primeiro de política: parece-me que deveria crescer o sentido de responsabilidade em todos os partidos, que não prometam coisas que não podem realizar, que não busquem somente votos para si, mas que sejam responsáveis pelo bem de todos e que se compreenda que a política é sempre também responsabilidade humana e moral diante de Deus e dos homens. Depois, naturalmente, os indivíduos sofrem e devem aceitar, às vezes sem possibilidade de se defender, a situação como é. 

Todavia, podemos também dizer: busquemos que cada um faça o seu possível, pense em si, na família, nos outros, com grande senso de responsabilidade, sabendo que os sacrifícios são necessários para ir a diante.   

Terceiro ponto: o que nós podemos fazer? Esta é minha pergunta, neste momento. Eu penso que talvez a germinação entre as cidades, entre as famílias, entre as paróquias, poderia ajudar. Nós moramos na Europa, agora, uma rede de germinação, são trocas de cultura, algumas muito boas e muito úteis, mas talvez devemos germinar em outro sentido: que realmente uma família do Ocidente, da Itália, da Alemanha, da França, etc, assuma a responsabilidade de ajudar uma outra família. Assim também as paróquias, as cidades: que realmente assuma a responsabilidade, ajudem no sentido concreto. E estejam seguros: eu e muitos outros rezamos por vocês e este rezar não é só dizer palavras, mas abrir o coração a Deus e assim conseguir também criatividade no encontrar soluções. Esperamos que o Senhor ajude-nos, que o Senhor vos ajude sempre! Obrigado.

4. FAMÍLIA RERRIE (Família americana)
JAY: Vivemos próximo a NovaYork. Chamo-me Jay, sou de origem jamaicana e sou contador. Ela é minha mulher Anna, ela é professora auxiliar. E estes são nossos seis filhos, que têm entre 2 e 12 anos. Daqui pode bem imaginar, santidade, que a nossa vida é feita de perenes corridas contra o tempo, de ansiedades, de articulações muito complicadas... 

Também para nós, nos Estados Unidos, uma das prioridades absolutas é manter o nosso posto de trabalho, e para fazê-lo precisamos cuidar dos horários e às vezes perdemos mesmo as relações familiares.

ANNA: Certo que não é fácil.... A impressão, Santidade, é que as instituições e as empresas não facilitam a conciliação dos tempos de trabalho com os tempos da família. 

Santidade, imaginamos que também para o Senhor não seja fácil conciliar os seus infinitos empenhos com o repouso. Há qualquer conselho para ajudar-nos a reencontrar esta necessária harmonia? No turbilhão de estímulos impostos pela sociedade contemporânea, como ajudar as famílias a viver a festa segundo o coração de Deus?

SANTO PADRE: Grande pergunta e penso entender este dilema entre duas prioridades: a prioridade do posto de trabalho é fundamental e a prioridade da família. E como reconciliar as duas prioridades? Posso somente tentar dar qualquer conselho. 

O primeiro ponto: existem empresas que permitem qualquer extra para as famílias – no dia de aniversário, etc. – e vêem que conceder um pouco de liberdade, no fim, faz bem para a empresa, porque reforça o amor pelo trabalho, pelo posto de trabalho. Então, quero aqui convidar os empregadores a pensar na família, a pensar também em como ajudar afim que as duas prioridades possam ser conciliadas. 

Segundo ponto: parece-me que se deva naturalmente buscar certa criatividade, e isso não é sempre fácil. Mas ao menos, cada dia levar qualquer elemento de alegria para a família, de atenção, qualquer renuncia à própria vontade para estar junto à família e aceitar e superar as noites, os obstáculos dos quais se falou também antes, e pensar neste grande bem que é a família. E, assim, também no grande cuidado de dar qualquer coisa de bom, cada dia, encontrar uma reconciliação entre as duas prioridades.

E finalmente, tem o domingo, a festa: espero que seja observada na América, o domingo. E assim, parece-me muito importante o domingo, o dia do Senhor e, próprio como tal, também o “dia do homem”, porque somos livres. Este era, na narração da Criação, a intenção original do Criador: que um dia todos fossem livres. Nesta liberdade de um para outro, para si mesmos, se é livre para Deus. E assim, penso que defendemos a liberdade do homem, defendemos o domingo e as festas como dias para Deus e, assim, dias para o homem. Felicidades a vocês! Obrigado.

5. FAMIGLIA ARAUJO (Família brasileira de Porto Alegre)

MARIA MARTA: Santidade, como no resto do mundo, também no Brasil, as falências matrimoniais continuam aumentando.

Chamo-me Maria Marta, ele é Manoel Angelo. Somos casados há 34 anos e já somos avós. Na qualidade de médica e psicoterapeuta familiar encontramos tantas famílias, notamos nos conflitos de casal uma mais acentuada dificuldade para perdoar e aceitar o perdão, mas em diversos casos encontramos o desejo e a vontade de construir uma nova união, qualquer coisa duradoura, também para os filhos que nascem da nova união.

MANOEL ANGELO: Alguns desses casais que se casam novamente gostariam de se reaproximar da Igreja, mas vêem negados os Sacramentos a eles e a desilusão é grande. Se sentem excluídos, marcados por uma sentença definitiva. Estes grandes sofrimentos magoam profundamente quem neles está envolvido; dilacerações que se tornam também parte do mundo e são feridas também nossas, de toda a humanidade. 

Santo Padre, sabemos que estas situações e que estas pessoas estão muito no coração da Igreja: quais palavras e quais sinais de esperança podemos dar a eles?

SANTO PADRE: Queridos amigos, obrigado pelo vosso trabalho como psicoterapeutas para as famílias, muito necessário. Obrigado por tudo aquilo que fazer para ajudar estas pessoas que sofrem. Em realidade, este problema dos casais em segunda união é um dos grandes sofrimentos da Igreja hoje. E não temos receitas simples. 

O sofrimento é grande e podem somente ajudar as paróquias, os indivíduos, ajudando estas pessoas a suportar o sofrimento deste divórcio. Eu diria que é muito importe saber, naturalmente, a prevenção, isto é, aprofundar desde o início, no namoro, numa decisão profunda, madura. Além disso, o acompanhamento durante o matrimônio, afim que as famílias não estejam nunca sozinhas, mas realmente acompanhadas em seu caminho.

E depois, quanto a essas pessoas, devemos dizer – como ela disse – que a Igreja as ama, mas eles devem ver e sentir este amor. Parece-me um grande desafio para uma paróquia, uma comunidade católica, fazer realmente o possível para que eles se sintam amados, aceitos, que não se sintam “fora”, mesmo que não possam receber a absolvição e a Eucaristia. Eles devem ver que mesmo assim vivem plenamente na Igreja. Talvez, se não é possível a absolvição na Confissão, todavia, um contato permanente com um sacerdote, com um guia espiritual, é muito importante para que possam ver que estão sendo acompanhados, guiados.

Depois, é também muito importante que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participada se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem o recebimento “corporal” do Sacramento, podemos estar espiritualmente unidos a Cristo no Seu Corpo. E fazer entender isso é importante, que realmente encontrem a possibilidade de viver uma vida de fé, com a Palavra de Deus, com a comunhão da Igreja e podem ver que o sofrimento deles é um dom para a Igreja, porque serve, assim, para defender também a estabilidade do amor, do Matrimônio; e que este sofrimento não é somente um tormento físico e psíquico, mas é também um sofrimento na comunidade da Igreja, para os grandes valores da nossa fé. 

Penso que o sofrimento deles, se realmente interiormente aceito, pode ser um dom para a Igreja. Devem sabê-lo, que justamente assim servem a Igreja, estão no coração da Igreja. Obrigado pelo vosso empenho.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

FELICIDADE

A felicidade está no pequeno de cada dia, num sorriso, num abraço, na família. Basta apenas abrir os olhos e ver tudo o que nos rodeia.