sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Programa Trocando Idéias da Canção Nova - Metodos contraceptivos e planejamento familiar - Parte 2

Programa Trocando Idéias da Canção Nova - Métodos contraceptivos e Planejamento Familiar - Parte 1



Reflita...







A vida sempre em primeiro lugar...

Métodos artificiais de controle da natalidade

Os métodos artificiais de planejamento familiar são classificados em hormonais (pílulas, injetáveis e implantes subdermais) espermaticidas (esponjas e geléias), de barreira (capuz cervical, preservativos e diafragma) e os de ação mecânica, combinados ou não com hormônios (DIUs). Alguns ainda incluem a esterilização cirúrgica (ligadura de trompas e vasectomia) e o aborto entre métodos de planejamento familiar.
Além dos efeitos colaterais de todos os métodos artificiais, muitos deles provocam o aborto na fase inicial de vida, no período que vai da concepção (fertilização) à fixação no útero (nidação).
Os anticoncepcionais orais presentes, hoje em dia no mercado, as conhecidas pílulas, têm quatro mecanismos de ação:

1 - produzem a suspensão da ovulação. Neste caso não há fecundação e, conseqüentemente, funcionam como anticoncepcional;

2 - alteram o estado do muco cervical dificultando o acesso do espermatozóide até o óvulo. Aí também funcionam como anticoncepcional;

3) - determinam mudanças no endométrio (parede interna do útero) impedindo a nidação do embrião. Neste caso funcionam como abortivo.

4) alteram a movimentação do óvulo nas trompas. Se este está fecundado resultará em aborto - um microaborto, quando não se dá uma gravidez ectópica (a criança se desenvolve na trompa causando sério risco de vida para a mãe)

Estudos realizados nos EE. UU. demonstraram que a pílula comum pode provocar abortos na proporção de 5% a 10%. Enquanto as mini e micro pílulas (pílulas de baixa dosagem) podem provocar o microaborto em 30% a 50% dos casos.
Estudos comprovam que a pílula apresenta, entre outros, os seguintes efeitos colaterais: distúrbios circulatórios, câncer de mama, câncer cervical, tumores hepáticos, malformação fetal, etc.
Segundo estudos da Associação Médica Inglesa as pílulas causam 130 mudanças hormonais no corpo da mulher, criando uma situação totalmente artificial, substituindo o mecanismo dos hormônios naturais existentes no organismo.
Os DIUs funcionam como um corpo estranho no útero impedindo a nidação do embrião e não eliminando o espermatozóide, como muitos de seus defensores querem fazer crer. Associado ao cobre (DIU de cobre) ou a hormônios têm, os DIUs, o efeito de abortar o bebê em seus primeiros dias de vida.
Os mesmos mecanismos abortivos ocorrem com os implantes hormonais (Norplant).
Recentemente, foi introduzido no mercado a "Pílula do Dia Seguinte" também conhecida como "Contracepção de Emergência". Essa pílula, com alta dosagem de hormônio tem 2 mecanismos de ação:

a) se a mulher não está ovulando a pílula impede a ovulação, funcionando com anticoncepcional. Isso ocorre em 20% dos casos.

b) se já ovulou a pílula impede a nidação, abortando o embrião na fase inicial da vida. Isso ocorre em 80% dos casos.

Fecundação artificial

Muitos casais estéreis, ou que se submeteram a esterilização (vasectomia ou ligação de trompas) vêm recorrendo a fecundação artificial para ter filhos.
Nem sempre esses casais sabem das implicações desse procedimento.
Há várias modalidades de fecundação artificial:

a) fecundação homóloga - quando as células germinativas (óvulo e espermatozóide) são do próprio casal;
b) fecundação heteróloga - quando um dos gametas (óvulo ou espermatozóide) é de uma outra pessoa que não do esposos. Isso caracteriza o adultério.
c) fecundação extracorpórea - quando a fecundação do óvulo se dá fora do corpo feminino. Também conhecida como fecundação "in vitro" (bebê de proveta)
d) fecundação intracorpórea - quando a união do espermatozóide com o óvulo se dá no corpo da mulher com auxílio técnico (Método conhecido como "Gift")

A fecundação artificial é condenada pela Igreja, não somente por atentar contra a lei natural da procriação, como implicar em problemas morais e éticos, além de colocar em risco a vida humana.


Texto retirado do site Portal da Família.

Métodos Naturais de Planejamento Familiar

Os métodos naturais de planejamento familiar é um presente para os casais, visto que há muitos benefícios físicos que não agridem o organismo feminino e benefícios de convivência para o casal porque os dois precisarão de diálogo, amor e compreensão no uso destes métodos.
Nos dias atuais, ninguém mais consegue dar atenção a si mesmo, ao seu corpo, querendo as coisas mais fáceis o possível para não se incomodarem, e isso, sem saberem, acabará ao longo do tempo trazendo malefícios a sua saúde.
Saber fazer a escolha de um método de planejamento familiar, e aqui falo aos casais, marido e mulher, consagrados pelo matrimônio a formarem família no mundo, deve ser parte do diálogo no tempo de namoro e noivado, para que ao chegar no casamento, ambos possam vivenciar o caminho escolhido.
A Igreja sabiamente diz aos casais:
"A continência periódica, os métodos de regulação da natalidade baseados na auto-observação e recurso aos períodos infecundos (HV, 16) estão de acordo com os critérios objetivos da moralidade. Estes métodos respeitam o corpo dos esposos, animam a ternura entre eles e favorecem a educação de uma liberdade autêntica. Em compensação, é intrinsecamente má toda ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento de suas conseqüências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” (Humanae Vitae, de Paulo VI, 14), (CIC, 2370).

As vantagens dos métodos naturais são:
  • são seguros, desde que feitos da forma correta;
  • aumentam o auto-conhecimento e auto-controle; como a mulher está sempre se observando, o método facilita a percepção de alguma coisa que esteja errada no organismo, como irregularidades no ciclo ou corrimentos que podem caracterizar infecções;
  • são aplicáveis a todas as condições sócio-culturais e até em mulheres cegas e analfabetas, uma vez que a descrição se faz pelas sensações na vulva.
  • Os métodos naturais não são métodos contraceptivos, mas  os verdadeiros métodos de planejamento familiar que  levam o casal a uma paternidade responsável.
Cabe ao casal, no diálogo, escolherem por amor e em favor da vida o método que melhor os ajude a planejarem a chegada dos filhos, o espaço de idade entre eles e assim assumirem com responsabilidade o dom da maternidade e paternidade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Terço da Vitória pelo sangue de Jesus

SINAL DA CRUZ
CREDO
3 AVE MARIA
GLÓRIA ao PAI...

1º MISTÉRIO

No primeiro mistério clamamos o sangue de Jesus para que nos lave, nos purifique e nos liberte dos nossos pecados.
Pai Nosso...Nas contas pequenas reza-se: Eu sou vitorioso pelo Sangue de Jesus (10 vezes)

2º MISTÉRIO

No segundo mistério clamamos pelo Sangue de Jesus para que quebre todas as maldições sobre nós e nossos familiares.
Pai Nosso...Nas contas pequenas reza-se: Pelo poder do Sangue de Jesus quebro todas as maldições sobre nós e nossos familiares. (10 vezes)

3º MISTÉRIO
No terceiro mistério clamamos pelo Sangue de Jesus sobre nossos relacionamentos afetivos, pelos nossos pais, esposos, filhos, amigos e pelos que amamos.
Pai Nosso...Nas contas pequenas reza-se: Pelo poder do Sangue de Jesus quebro e dissolvo toda desarmonia, desavença e falta de compreensão em nossas vidas para que flua o amor. (10 vezes)

4º MISTÉRIO

No quarto mistério clamamos pelo sangue de Jesus para quebrar todas as dificuldades em nossos trabalhos e pastorais.
Pai Nosso...Nas contas pequenas reza-se: Pelo poder do Sangue de Jesus quebramos todas as dificuldades em nossos trabalhos. (10 vezes)

5º MISTÉRIO
 No quinto mistério clamamos pelo Sangue de Jesus pela nossa saúde e de todos aqueles pelos quais somos responsáveis e que nos pedem a nossa oração.
Pai Nosso...
Nas contas pequenas reza-se: Pelo poder do Sangue de Jesus seja restaurada a nossa saúde e a de todos aqueles pelos quais somos responsáveis e que nos pedem a nos pedem orações.(10 vezes)

Salve Rainha

Novena das Rosas

Origem da Novena
 
No dia 3 de Dezembro de 1925, o P. Putingan, SJ, começou, começou uma novena em honra de S. Teresinha. Com esta intenção começou a rezar, durante a novena, 24 Glória ao Pai, em acção de graças à Santíssima Trindade, pelos favores e graças concedidos a S. Teresa durante os 24 anos de sua existência terrena. Pediu o padre que lhe desse um sinal de que a novena era ouvida, e este sinal seria receber uma rosa fresca e desabrochada. No terceiro dia da novena uma amiga procurou-o e oferece-lhe uma rosa vermelha.
No dia 24 do mesmo mês o padre começou uma segunda novena e pediu uma rosa branca. Ao quarto dia da novena, uma religiosa-enfermeira do hospital, trouxe uma linda rosa branca dizendo: “Aqui está uma rosa que Santa Teresinha envia a Vossa Reverência”.
Surpreendido, pergunta o padre: “Donde vem esta rosa”? “Fui à capela onde se acha adornada uma bela imagem de Santa Teresinha, diz a religiosa, e, ao aproximar-me do altar da Santinha, caiu ao meus pés esta rosa. Quis colocá-la de novo na jarra, mas lembrei-me de a trazer a Vossa Reverencia.”
Alcançadas as graças pedidas resolveu propagar a Novena. Assim, do dia 9 ao 17 de cada mês, todas as pessoas que desejem fazer a novena dos 24 Glória ao Pai unem as suas intenções às das pessoas que, na mesma época, fazem a dita novena, e se estabelece, desta maneira, uma bela comunhão de orações.

Modo de rezar

Durante nove dias reza-se a coroa das 24 Glórias à Santíssima Trindade, em acção de graças pelos dons concedidos a S. Teresinha durante os 24 anos da sua vida e pela glória que lhe concedeu no Céu, depois da morte.
No fim, com simplicidade, fervor e confiança, expomos o que desejamos acrescentando a seguinte oração:

Oração

Ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que na vossa curta existência, fostes um espelho de angélica pureza, de forte amor e generoso abandono a Deus, agora que gozais o prémio das vossas virtude, volvei o vosso olhar para mim que em vós confio.
Fazei vossa a minha aflição; dizei por mim uma palavra àquela Virgem Imaculada, de quem fostes a flor predilecta, a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida; dizei-lhe que como Senhora do Coração de Jesus, me obtenha com a sua poderosa intercessão a graça que presentemente tanto desejo:
(expõe-se o pedido mentalmente.)
e que acompanhe com uma bênção, que me fortifique na vida, me defenda na morte, e me conduza à feliz eternidade. Assim seja.

Glória ao Pai... (24 vezes)
V. Santa Teresinha do Menino Jesus,
R. Rogai por nós!

           (No fim das 24 glórias:)
Ave Maria... Pai Nosso... Glória ao Pai...

A pequena via

Santa Teresinha sempre ensinou o caminho do amor, da pequena via, do caminho curto para se chegar ao céu. Esse caminho é o caminho do amor, das pequenas coisas...


"Bem sabeis, minha Madre, que sempre desejei ser santa. 
Mas, ai de mim! sempre verifiquei, ao comparar-me com os Santos, que há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha, cujo cume se perde nos céus, e o obscuro grão de areia  pisado pelos pés dos caminhantes. Em vez de desanimar, disse para comigo: Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis. Posso, portanto, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade. Fazer-me crescer a mim mesma é impossível; tenho de suportar-me tal como sou, com todas as minhas imperfeições. Mas quero procurar a maneira de ir para o Céu por um caminhito muito direito, muito curto; um caminhito completamente novo. "
(História de uma Alma, Ms C 2vº)

Para você ...

"Deus apenas te pede que te deixes amar."
Santa Teresinha do Menino Jesus

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

7 de Outubro - Dia de Nossa Senhora do Rosário

Esta festa foi instituída pelo Papa Pio V em 1571, quando celebrou-se a vitória dos cristãos na batalha naval de Lepanto. Nesta batalha os cristãos católicos, em meio a recitação do Rosário, resistiram aos ataques dos turcos otomanos vencendo-os em combate.

A celebração de hoje convida-nos à meditação dos Mistérios de Cristo, os quais nos guiam à Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus.

A origem do Rosário é muito antiga, pois conta-se que os monges anacoretas usavam pedrinhas para contar o número das orações vocais. Desta forma, nos conventos medievais, os irmãos leigos dispensados da recitação do Saltério (pela pouca familiaridade com o latim), completavam suas práticas de piedade com a recitação de Pai-Nossos e, para a contagem, o Doutor da Igreja São Beda, o Venerável (séc. VII-VIII), havia sugerido a adoção de vários grãos enfiados em um barbante.

Na história também encontramos Maria que apareceu a São Domingos e indicou-lhe o Rosário como potente arma para a conversão: "Quero que saiba que, a principal peça de combate, tem sido sempre o Saltério Angélico (Rosário) que é a pedra fundamental do Novo Testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para Deus, com a oração do meu Saltério".

Essa devoção, propagada principalmente pelos filhos de São Domingos, recebe da Igreja a melhor aprovação e foi enriquecida por muitas indulgências. Essa grinalda de 200 rosas - por isso Rosário - é rezado praticamente em todas as línguas, e o saudoso Papa João Paulo II e tantos outros Papas que o precederam recomendaram esta singela e poderosa oração, com a qual, por intercessão da Virgem Maria, alcançamos muitas graças de Jesus, como nos ensina a própria Virgem Santíssima em todas as suas aparições.


Texto extraído do site da comunidade Canção Nova

Catequese de Bento XVI sobre o Salmo 23




CATEQUESE
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 05 de outubro 2011
Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé
(Tradução: Mirticeli Medeiros - equipe CN notícias)

Voltar-se para o Senhor na oração implica um ato de confiança radical, na consciência de confiar em um Deus que é bom, misericordioso e piedoso, lento para a ira e rico de amor e fidelidade. Por isto, hoje gostaria de refletir convosco sobre um Salmo cheio de confiança, no qual o Salmista exprime a sua serena certeza de ser conduzido e protegido, seguro de todo perigo, porque o Senhor é o seu pastor. Se trata do Salmo 23, que segundo a datação greco-latina é o 22, um texto familiar a todos e amado por todos.

“O Senhor é o meu pastor: nada me falta”: Assim inicia esta bela oração, evocando o ambiente nômade do pastoreio e a experinência recíproca que se estabelece entre o pastor e as ovelhas que compõem o seu pequeno rebanho. A imagem conduz a uma atmosferia de confidência, intimidade, ternura: o pastor conhece as suas ovelhinhas uma por uma, as chama pelo nome, e essas o seguem porquem o reconhecem e confiam nele. Ele cuida delas, as guarda como bens preciosos, está pronto a defendê-las, a garantir-lhes o bem-estar, a fazê-las viver em tranquilidade. Nada pode faltar se o pastor está com elas. A esta experiência se refere o Salmista, chamando Deus seu pastor e deixando-se conduzir por Ele rumo aos campos seguros.

“Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes , restaura as forças da minha alma. Pelos caminhos retor Ele me leva, por amor de seu nome” (v.2-3)

A visão que se abre aos nossos olhos é aquela dos campos verdes e fontes de água límpida, oásis até o qual o Pastor acompanha o rebanho; símbolos dos lugares de vida em direção aos quais o Senhor conduz o Salmista, o qual se sente como as ovelhas deitadas sobre a grama ao lado de uma nascente, em situação de repouso, não em tensão ou em um estado de alarme, mas confiantes e tranquilas, porque o local é seguro, tem água fresca, o Pastor as vigia. E não esqueçamos aqui que a cena evocada pelo Salmo é ambientada em uma terra larga, com uma parte deserta, abatida pelo sol escaldante, onde o Pastor seminômade do oriente médio vive com o seu rebanho nos cerrados áridos que se estendem ao redor dos vilarejos. Mas o Pastor sabe onde encontrar capim e água fresca, essenciais para a vida, sabe levar ao oásis no qual a alma se revigora, onde é possível renovar as forças e as novas energias para colocar-se a caminho.

Como diz o Salmista, Deus o conduz em direção aos verdes prados, às águas tranquilas, onde tudo é abundante, tudo é doado em grande quantidade. Se o Senhor é o pastor, também no deserto, lugar de ausência e de morte, não deixa de existir a certeza de uma radical presença de vida, ao ponto de poder dizer: “nada me falta”. O pastor, de fato, tem no coração o bem do seu rebanho, adapta os próprios ritmos e as próprias exigências àquelas de suas ovelhas, caminha e vive com elas, guiando-as por estradas justas, isto è, adaptadas à elas, com atenção às necessidades delas e não às próprias. A segurança do seu rebanho é a sua prioridade e a esta prioridade obedece ao conduzi-lo.

Por isso o Salmista pode declarar uma tranquilidade e uma segurança sem incertezas, nem temores:
“Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bastão e vosso báculo são o meu amparo”.  (v.4)

Quem vai com o Senhor também nos vales escuros do sofrimento, da incerteza e de todos os problemas humanos, se sente seguro. Tu estás comigo: esta é a nossa certeza, aquela que nos sutenta. O escuro da noite gera medo, com as suas sombras insconstantes, a dificuldade de distinguir os perigos, o seu silêncio que por vezes é interrompido por barulhos indecifráveis. Se o rebanho se move depois do pôr do sol, quando a visibilidade se torna incerta, é normal que as ovelhas estejam inquietas, há o risco de assustarem-se, distanciarem-se, perderem-se ou ainda existe o temor de possíveis agressores que se escondam no obscuro.

Para falar do vale escuro, o Salmista usa uma expressão hebraica que evoca as trevas da morte, no qual o vale que se deve atravessar é um lugar de angústia, de ameaças terríveis, de perigos de morte. Todavia, o orante prossegue seguro, sem medo, porque sabe que o Senhor está com ele. Aquele “tu estás comigo” é uma proclamação de confiança inabalável e sintetiza a experiência de fé radical, a proximidade de Deus transforma a realidade, o vale escuro perde todo perigo, se esvazia de toda ameaça. O rebanho agora pode caminhar tranquilo, acompanhado pelo som familiar do bastão que bate sobre o terreno e sinaliza a presença confortante do pastor. Esta imagem confortante fecha a primeira parte do Salmo e dá lugar para uma cena diferente. Estamos ainda no deserto, onde o pastor vive com seu rebanho, mas agora somos transportados para a sua tenda, que se abre para dar hospitalidade.

“Preparais para mim a mesa, à vista de meus inimigos. Derramais o olhos sobre minha cabeça e meu cálice transborda” (v.5)

Agora, o Senhor é apresentado como Aquele que acolhe o orante, com os sinais de uma hospitalidade generosa e repleta de atenção. O anfitrião divino prepara o alimento sobre a “mesa”, uma expressão que em hebraico indica, no seu sentido primitivo, a pele de animal que era entendida no chão e sobre a qual se colocavam os víveres para a refeição em comum. É um gesto de partilha não somente do alimento, mas também da vida, em uma oferta de comunhão e de amizade que cria laços e exprime solidariedade. E depois, tem o dom generoso do óleo perfumado sobre a cabeça, que dá alívio ao calor insuportável do sol do deserto, refresca e suaviza a pele e alegra o espírito com a sua fragrância. Por fim, o cálice cheio acrescenta um toque de festa, com o seu vinho refinado, partilhado com generosidade abundante. Alimento, óleo, vinho: são os dons que fazem viver e dão alegria porque estão além daquilo que é extremamente necessário e exprimem a gratuidade e a abundância do amor. Proclama o Salmo 104, celebrando a bondade providente do Senhor: “Tu fazes crescer a grama para o animal e as plantas que o homem cultiva para tirar alimento da terra, vinho que alegra o coração do homem, óleo que faz brilhar a sua face e pão que sustenta o seu coração”. O Salmista se fez objeto de tantas atenções: ele se vê como um caminhante que encontra repouso em uma tenda acolhedora, enquanto os seu inimigos ficam olhando sem poder intervir, porque aquele que consideravam como presa está seguro, se tornou um hóspede sacro, intocável. E o Salmista somos nós se realmente acreditamos na comunhão com Cristo. Quando Deus abre a sua tenda para acolher-nos, nada pode nos fazer mal.
Quando o caminhante parte, a proteção divina se prolonga e o acompanha na sua viagem.


“Sim, a vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias”.

A bondade e a fidelidade de Deus são a proteção que acompanha o Salmista que sai da tenda e se recoloca no caminho. Mas é um caminho que adquire um novo sentido e se torna peregrinação em direção ao templo do Senhor, o lugar santo no qual o orante quer habitar e ao qual quer retornar. O verbo hebraico aqui utilizado tem o sentido de retornar, mas com uma pequena modificação vocálica, pode ser entendido como habitar, e assim permaneceu nas antigas versões e na maior parte das traduções modernas. Ambos os sentidos podem ser mantidos: voltar ao Templo e habitar nele é o desejo de todo israelita, e habitar próximo a Deus na sua proximidade e bondade é desejo e nostalgia daquele que acredita: poder habitar realmente onde está Deus, próximo a Deus. O seguimento do Pastor leva à sua casa, é essa a meta de todo caminho, oásis desejado no deserto, tenda de refúgio na fuga dos inimigos, lugar de paz onde se experimenta a bondade e o amor fiel de Deus dia após dia, na alegria serena de um tempo sem fim.

As imagens deste Salmo, com as suas riquezas e profundidade, acompanharam toda a história e a experiência religiosa do povo de Israel e acompanham também os cristãos. A figura do pastor, em particular, evoca o tempo originário do Êxodo, o longo caminho no deserto, como um rebanho que está sob a guia do Pastor divino. E na Terra prometida era o rei que tinha a missão de cuidar do rebanho do Senhor, como Davi, pastor escolhido por Deus e figura do Messias. Após o exílio da Babilônia, quase em um novo êxodo, Israel é reconduzido à pátria como ovelha dispersa e reencontrada, reconduzida por Deus aos vigorosos campos e lugares de repouso.

Mas é no Senhor Jesus que toda a força evocativa do nosso Salmo chega a cumprimento, encontra sua plenitude de significado: Jesus é o bom Pastor que sai à procura da ovelha desgarrada, que conhece as suas ovelhas e dá a vida por elas. Ele é a vida, o caminho justo que nos leva à vida, a luz que ilumina o vale escuro e vence todo nosso medo. È Ele o anfitrião generoso que nos acolhe, nos coloca a salvo dos inimigos preparando-nos a mesa do seu corpo e do seu sangue e aquela definitiva do banquete messiânico do Céu. É Ele o Pastor real, rei na mansidão e no perdão, entronizado sobre o madeiro glorioso da cruz.

Queridos irmãos e irmãs, o Salmo 23 nos convida a renovar a nossa confiança em Deus, abandonando-nos totalmente nas suas mãos. Peçamos então com fé que o Senhor nos conceda, também nas estradas difíceis do nosso tempo, de caminhar sempre sobre as suas estradas como rebanho dócil e obediente; que nos acolha na sua casa, na sua mesa, e nos conduza às águas tranquilas, para que no acolhimento do dom do Seu Espirito, possamos beber das suas nascentes, fontes daquela água viva que transborda para a vida eterna. Obrigado.





Texto extraído do site da Comunidade Canção Nova